Talídyna Moreira

Saúde Mental no Trabalho

Você não é o seu trabalho.

A escolha da profissão que vamos exercer ao longo da vida ocorre muito cedo.
 
Alguns escolhem por paixão, ambições financeiras, expectativas familiares, enquanto outros pela necessidade de subsistência ou oportunidades que surgem naquele momento da vida.
 
Independentemente de como você chegou ao trabalho ou ele chegou até você, é impossível estimar o grau de satisfação que terá com a carreira no futuro.
 
Na minha casa, o trabalho sempre foi um símbolo de dignidade, meio de subsistência e valorização social. Meus pais sempre diziam que era através do trabalho e estudo que eu conseguiria “ser alguém na vida”. No entanto, ao chegar à vida adulta, percebi que o trabalho também pode ser um símbolo de outras coisas, como estresse, preocupação, sentimentos de vazio, desvalorização e até incapacidade.
 
Dados estatísticos do Ministério da Previdência Social informaram que em 2023 foram concedidos mais de 288 mil benefícios por incapacidade decorrentes de transtornos mentais e comportamentais. Entre as doenças mais incapacitantes, temos a depressão e a ansiedade.
 
Os dados e a observação da realidade indicam que a cultura de normalização do excesso de trabalho está levando os trabalhadores a ultrapassarem seus limites pessoais, resultando em altos níveis de estresse e problemas de saúde.
 
Na sociedade do cansaço, existe uma pressão constante para produzir e competir, o que torna o ato de descansar um fator eliciador de culpa. Nós, enquanto seres humanos, não podemos nos resumir à nossa função produtiva; ela é apenas uma parte de nós.
 
Não devemos depositar em uma única área da nossa vida todas as expectativas de felicidade e realização pessoal. Se você, hoje, não se sente completo no trabalho, não se sinta sozinho; talvez você não precise buscar essa completude.
 
Se você está sofrendo com situações de trabalho que estão gerando tensões muito grandes para lidar sozinho, procure apoio social e ajuda profissional.
 
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Por que sentimos tanto?

A função das emoções

Por que sentimos tanto?

Talvez você já tenha se questionado sobre o motivo de sentir tanto. Principalmente quando se trata daquelas emoções que consideramos “negativas”. 

É comum ouvir relatos de pessoas que desejam não sentir, considerando as emoções confusas, incontroláveis, e acreditando que elas demonstram fraqueza.

Apesar de termos a tendência de classificar as emoções como positivas ou negativas, todas elas têm valor e função na nossa vida. Desde Darwin, a ciência defende que as expressões emocionais são universais e fundamentais para a adaptação e sobrevivência da nossa espécie.

As emoções possuem funções interessantes:

  1. Adaptativa: Prepara-nos para responder de modo eficiente às situações cotidianas.
    • Nojo: Evita que você coma alimentos estragados.
    • Medo: Faz você recuar ao encontrar um animal perigoso.
  2. Motivacional: Direciona e energiza para realizar comportamentos.
    • Raiva: Perceber uma injustiça no trabalho pode motivá-lo a pedir demissão ou buscar condições melhores.
    • Insatisfação: pode motivá-lo a se afastar de um relacionamento e buscar algo que esteja mais alinhado com seus valores.
  3. Social: Facilita a comunicação e fortalece relações.
    • Tristeza: Expressar tristeza pode fazer com que seus amigos e familiares ofereçam apoio e conforto, fortalecendo seus laços sociais.

As emoções não precisam ser temidas. Viver uma vida plena é experimentar uma diversidade de sentimentos. Um indivíduo saudável precisa sentir felicidade, assim como precisa do medo e da tristeza.

“Sem emoções, nossas vidas não teriam significado, textura, riqueza, contentamento e conexão com outras pessoas. As emoções nos lembram de nossas necessidades, nossas frustrações e nossos direitos – nos levam a fazer mudanças, fugir de situações difíceis ou saber quando estamos satisfeitos.” (LEAHY, TIRCH, NAPOLITANO, 2013, p. 19)

Regulação emocional não é sobre sentir-se sempre bem, é sobre ser capaz de sentir tudo.

Como lidar com o ciúme?

Como Lidar com o Ciúme: Estratégias de Regulação Emocional

Ciúmes. Todos nós já sentimos essa emoção em algum momento de nossas vidas. Mas como lidar com esse sentimento tão desconfortável?

Neste artigo, vou te ensinar três estratégias de regulação emocional usando o exemplo do ciúme.

Esquemas emocionais

Primeiro, vamos falar sobre esquemas emocionais.

Esquemas emocionais são como filosofias que criamos para lidar com nossas emoções. Eles envolvem nossas crenças sobre a legitimidade das emoções e como devemos lidar com elas: se devem ser expressas, controladas ou suprimidas. Esses esquemas são desenvolvidos desde a infância e moldam a forma como lidamos com nossas emoções ao longo da vida.

Caso: Ana e Luís

Para ilustrar, vou contar a história de Ana. Ela está angustiada por sentir ciúmes de um rapaz com quem está saindo há dois meses. Ana acredita que o ciúme, nesse contexto, não é válido, já que eles não estão namorando. Ela pensa que deve suprimir esse sentimento porque ele a faz parecer vulnerável.

Esses pensamentos refletem os esquemas emocionais de Ana. Ela pode tentar suprimir essa emoção saindo para beber com amigos ou buscando um novo relacionamento para se distrair.

Estratégias de Regulação Emocional

Agora que você entende o que são esquemas emocionais, vamos às três estratégias básicas de regulação emocional.

Nomeação da Emoção

Dar nomes às emoções é crucial para o processamento da experiência. Ana, ao ver o rapaz com outras pessoas, pode se perguntar se o que sente é tristeza, raiva ou ciúmes. O ciúmes é uma emoção adaptativa que surgiu para proteger relações valiosas contra ameaças.

Normalização da Emoção

Normalizar as emoções é fundamental. O ciúme é um sentimento comum e natural. Todos nós, em algum momento, vamos vivenciá-lo. Ver o ciúme ou qualquer outro sentimento como insuportável ou ruim pode intensificar a experiência emocional e levar a estratégias disfuncionais de supressão. Vale destacar que estamos tratando do ciúme como parte da experiência emocional humana, e não em contextos psicopatológicos.

Aceitação e Percepção das Emoções como Temporárias

O sofrimento emocional muitas vezes surge da percepção de que a emoção dolorosa é interminável. É importante perceber que as emoções são temporárias e trabalhar a aceitação da experiência emocional. Por exemplo, Ana pode sentir o peso do ciúme enquanto vê o perfil do rapaz no Instagram, mas 20 minutos depois, ela pode estar tomando café com sua mãe e perceber o sentimento se esvaindo.

A aceitação da emoção não implica acreditar que ela seja uma experiência boa ou ruim, mas simplesmente reconhece que é uma experiência sendo vivenciada naquele momento. Estratégias de supressão emocional e o senso de urgência para se livrar dela intensificam a luta interna e aumentam a desregulação emocional.

Em resumo…

Nomeie, normalize e aceite suas emoções. Se você tem percebido dificuldade em lidar com suas emoções, procure ajuda profissional. Se gostou deste conteúdo, siga meu perfil para mais dicas sobre psicologia e bem-estar emocional.