Por que sentimos tanto?
Talvez você já tenha se questionado sobre o motivo de sentir tanto. Principalmente quando se trata daquelas emoções que consideramos “negativas”.
É comum ouvir relatos de pessoas que desejam não sentir, considerando as emoções confusas, incontroláveis, e acreditando que elas demonstram fraqueza.
Apesar de termos a tendência de classificar as emoções como positivas ou negativas, todas elas têm valor e função na nossa vida. Desde Darwin, a ciência defende que as expressões emocionais são universais e fundamentais para a adaptação e sobrevivência da nossa espécie.
As emoções possuem funções interessantes:
As emoções não precisam ser temidas. Viver uma vida plena é experimentar uma diversidade de sentimentos. Um indivíduo saudável precisa sentir felicidade, assim como precisa do medo e da tristeza.
“Sem emoções, nossas vidas não teriam significado, textura, riqueza, contentamento e conexão com outras pessoas. As emoções nos lembram de nossas necessidades, nossas frustrações e nossos direitos – nos levam a fazer mudanças, fugir de situações difíceis ou saber quando estamos satisfeitos.” (LEAHY, TIRCH, NAPOLITANO, 2013, p. 19)
Regulação emocional não é sobre sentir-se sempre bem, é sobre ser capaz de sentir tudo.
Ciúmes. Todos nós já sentimos essa emoção em algum momento de nossas vidas. Mas como lidar com esse sentimento tão desconfortável?
Neste artigo, vou te ensinar três estratégias de regulação emocional usando o exemplo do ciúme.
Esquemas emocionais
Primeiro, vamos falar sobre esquemas emocionais.
Esquemas emocionais são como filosofias que criamos para lidar com nossas emoções. Eles envolvem nossas crenças sobre a legitimidade das emoções e como devemos lidar com elas: se devem ser expressas, controladas ou suprimidas. Esses esquemas são desenvolvidos desde a infância e moldam a forma como lidamos com nossas emoções ao longo da vida.
Caso: Ana e Luís
Para ilustrar, vou contar a história de Ana. Ela está angustiada por sentir ciúmes de um rapaz com quem está saindo há dois meses. Ana acredita que o ciúme, nesse contexto, não é válido, já que eles não estão namorando. Ela pensa que deve suprimir esse sentimento porque ele a faz parecer vulnerável.
Esses pensamentos refletem os esquemas emocionais de Ana. Ela pode tentar suprimir essa emoção saindo para beber com amigos ou buscando um novo relacionamento para se distrair.
Estratégias de Regulação Emocional
Agora que você entende o que são esquemas emocionais, vamos às três estratégias básicas de regulação emocional.
Nomeação da Emoção
Dar nomes às emoções é crucial para o processamento da experiência. Ana, ao ver o rapaz com outras pessoas, pode se perguntar se o que sente é tristeza, raiva ou ciúmes. O ciúmes é uma emoção adaptativa que surgiu para proteger relações valiosas contra ameaças.
Normalização da Emoção
Normalizar as emoções é fundamental. O ciúme é um sentimento comum e natural. Todos nós, em algum momento, vamos vivenciá-lo. Ver o ciúme ou qualquer outro sentimento como insuportável ou ruim pode intensificar a experiência emocional e levar a estratégias disfuncionais de supressão. Vale destacar que estamos tratando do ciúme como parte da experiência emocional humana, e não em contextos psicopatológicos.
Aceitação e Percepção das Emoções como Temporárias
O sofrimento emocional muitas vezes surge da percepção de que a emoção dolorosa é interminável. É importante perceber que as emoções são temporárias e trabalhar a aceitação da experiência emocional. Por exemplo, Ana pode sentir o peso do ciúme enquanto vê o perfil do rapaz no Instagram, mas 20 minutos depois, ela pode estar tomando café com sua mãe e perceber o sentimento se esvaindo.
A aceitação da emoção não implica acreditar que ela seja uma experiência boa ou ruim, mas simplesmente reconhece que é uma experiência sendo vivenciada naquele momento. Estratégias de supressão emocional e o senso de urgência para se livrar dela intensificam a luta interna e aumentam a desregulação emocional.
Em resumo…
Nomeie, normalize e aceite suas emoções. Se você tem percebido dificuldade em lidar com suas emoções, procure ajuda profissional. Se gostou deste conteúdo, siga meu perfil para mais dicas sobre psicologia e bem-estar emocional.